Doutora
Lucas (O Paciente) A sala de espera da clínica estava com o ar-condicionado no talo, mas eu suava frio. Não era febre. Pelo menos, não do tipo que se cura com dipirona. Eu batia o pé no chão, impaciente. A secretária me olhou feio pela terceira vez por cima dos óculos. — Senhor Lucas, como já expliquei, a Dra. Helena está com a agenda lotada. O senhor não tem horário marcado. — Moça, você não tá entendendo. Meu caso é de emergência médica. A doutora me deu um remédio ontem à noite e eu tô com uns... efeitos colaterais. Eu só sorrio desde a hora que acordei. Tá doendo a bochecha já. Eu não ia contar pra ela, óbvio, que o "remédio" foi administrado no apartamento da médica, entre lençóis de algodão egípcio e garrafas de vinho seco. Que o "chá" que eu tomei me deixou flutuando por uma semana inteira, mesmo tendo passado só algumas horas. Aquela mulher me derrubou. Me deixou de cama — e que cama, meus amigos. Eu, que sempre me achei o imbatível, fui comple...