Doutora


Lucas (O Paciente)

A sala de espera da clínica estava com o ar-condicionado no talo, mas eu suava frio. 
Não era febre. Pelo menos, não do tipo que se cura com dipirona. Eu batia o pé no chão, impaciente. A secretária me olhou feio pela terceira vez por cima dos óculos.

— Senhor Lucas, como já expliquei, a Dra. Helena está com a agenda lotada. O senhor não tem horário marcado.

— Moça, você não tá entendendo. Meu caso é de emergência médica. A doutora me deu um remédio ontem à noite e eu tô com uns... efeitos colaterais. Eu só sorrio desde a hora que acordei. Tá doendo a bochecha já.

Eu não ia contar pra ela, óbvio, que o "remédio" foi administrado no apartamento da médica, entre lençóis de algodão egípcio e garrafas de vinho seco. Que o "chá" que eu tomei me deixou flutuando por uma semana inteira, mesmo tendo passado só algumas horas. 

Aquela mulher me derrubou. Me deixou de cama — e que cama, meus amigos. Eu, que sempre me achei o imbatível, fui completamente diagnosticado e medicado. Minha carne é fraca, fazer o quê?

 Dra. Helena (A Especialista)

Pela fresta da porta do consultório, vi Lucas discutindo com a coitada da Márcia na recepção. Aquele sorriso cafajeste e o cabelo bagunçado não me enganavam. Ontem à noite, ele chegou no meu apartamento se achando o dono da situação, cheio de pose. Mas bastou um "exame de rotina" mais profundo e um tratamento intensivo, com direito a vários turnos, para ele esquecer o próprio CEP.

Sorri de canto, sentindo um calor subir pelo pescoço só de lembrar da força das mãos dele na minha cintura. Apertei o botão do interfone.

— Márcia, pode deixar o paciente Lucas entrar. Me passa ele na frente do resto do povo. O quadro dele é... peculiar. Exige minha intervenção imediata.

Eu sabia muito bem qual era a doença dele. E a cura, eu guardava a sete chaves.

W.L Narrando

Lucas entrou no consultório e trancou a porta atrás de si com um clique sonoro. Helena estava recostada na beirada da mesa de exames, o jaleco branco estrategicamente desabotoado revelando o decote da blusa de seda preta por baixo. As pernas cruzadas balançavam um salto agulha que faria qualquer homem precisar de um desfibrilador.

— Doutora... — ele começou, a voz rouca, caminhando lentamente até encurralá-la contra a maca. — Como você pode ver, eu não sou um cara paciente. Sério, minha paciência acabou no exato momento em que acordei e não te vi do meu lado. Como eu me protejo da vontade insana de ver mais um dia esse seu sorriso?

Helena deu uma risada baixa, pegando o estetoscópio da mesa e passando a ponta fria de metal pelo peito dele, abrindo os dois primeiros botões da camisa social de Lucas.

— Batimentos acelerados. Pupilas dilatadas. Respiração ofegante... Qual a sua queixa principal, senhor Lucas? — ela sussurrou, os olhos brilhando com malícia.

— Hoje eu não preciso de receita, Helena. Hoje eu não preciso de atestado — ele murmurou, segurando a mão dela que brincava com o estetoscópio e puxando o corpo dela contra o seu. — Pra saber que o meu caso é grave. E a solução é outra noite do seu lado.

— Sabe que a automedicação é um perigo, não sabe? — ela provocou, mordendo o lábio inferior enquanto a mão livre dele deslizava atrevida por baixo do jaleco dela, apertando a curva da sua coxa.

— Não é caso de vida ou morte... — ele arfou, sentindo as unhas dela arranharem de leve sua nuca. — É que eu tive muita sorte de te ter em vida. Deixo aqui o meu diagnóstico: você deixou minha vida bem mais colorida.

— Interessante seu laudo... — Helena sussurrou bem perto do ouvido dele, a respiração quente arrepiando cada terminação nervosa do corpo de Lucas. — Acho que o tratamento de choque de ontem precisa de um reforço. Afinal, vejo que você tá bem vivo, mas com a carne fraca.

— Só o que me mata é não te ver de novo, 
Doutora. Me cura, vai...

Helena o puxou para um beijo faminto, o jaleco finalmente escorregando pelos ombros e caindo no chão do consultório. A receita para aquela noite não precisava de carimbo do CRM, mas com certeza envolvia uma dose cavalar de suor, gemidos abafados e o melhor "chá" que a medicina moderna já viu.

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