⚘️A Flor solitária e a alma Fantasma👻




Asheley Salles vivia em uma gaiola de ouro. 

Como única herdeira do Conde Sperom, sua vida era um tabuleiro de xadrez onde ela era a peça mais valiosa, destinada a ser entregue ao General Speron para selar um pacto de sangue e poder. 

Mas Asheley tinha um fogo interno que os bailes aristocráticos não conseguiam apagar. Ela sentia uma solidão profunda, um vazio que só era preenchido quando as luzes do teatro de Ethergard se apagavam.

Wagner, o astro da ópera, era o seu vício secreto. No palco, ele era a perfeição; nos bastidores, ele era um mistério envolto em elegância e melancolia. 

Wagner era um vampiro, o último de sua linhagem, vivendo em constante vigília para esconder sua natureza predatória. Mas, ao ver Asheley na primeira fila — sempre à direita, com os olhos castanhos devorando cada movimento seu — a máscara de gelo do ator começou a rachar.

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A tensão explodiu em uma noite de tempestade. Após a última reverência, as cortinas se fecharam, mas Asheley não foi embora. Ela entrou nos bastidores, o coração martelando contra as costelas. O cheiro de Wagner era uma mistura de incenso antigo e algo selvagem, perigoso.

— Você canta como se estivesse sangrando Wagner — sussurrou ela, aproximando-se perigosamente.

Wagner a prensou contra as cortinas pesadas de veludo. O calor que emanava de Asheley era um banquete para seus sentidos atrofiados.

— Eu canto para não ter que caçar, Asheley. Mas você... você me faz querer devorar o mundo.

Ele a beijou com uma fome que não era apenas de sangue, mas de vida. As mãos de Wagner percorreram o corpo de Asheley, rasgando as rendas finas do seu espartilho. 

Ali, no chão das coxias, entre o som da chuva e os aplausos abafados que ainda ecoavam lá fora, eles se entregaram a uma dança de pele e desejo. O suor de seus corpos se misturava sob a luz trêmula dos candeeiros. 

Cada gemido de Asheley era uma "pregação" silenciosa de que ela pertencia a ele, e não ao destino que seu pai lhe impusera.

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O amor deles foi descoberto. O Conde Sperom, em fúria, lacrou a Ópera e exilou Wagner, trancando Asheley em uma torre para aguardar o casamento forçado. Na véspera da cerimônia, Wagner, temendo por ela e sabendo que sua vida de fugitivo seria um inferno, deixou uma rosa e uma carta de adeus na janela.

O que ele não entendeu é que a solidão de Asheley sem ele era pior que a morte.
Vestida de branco, com o véu cobrindo sua tristeza, ela não caminhou até o altar. 

Ela pegou uma adaga e cortou o próprio pulso, deixando a vida esvair-se como um último ato de protesto.

Quando Wagner a encontrou, já era tarde para a humana. Mas para o vampiro, era apenas o começo.

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No alto do castelo de Michigan, sob a lua nova, Wagner abriu as próprias veias.

— Você queria se entregar a mim, Asheley? Pois agora você será minha por todos os séculos.

Ele forçou seu sangue negro e potente para dentro da garganta dela. O corpo de Asheley arqueou. A pele gélida começou a queimar. 

O suor da agonia transformou-se no suor da luxúria absoluta quando ela despertou. Os dentes de Wagner perfuraram o pescoço dela, não para matar, mas para selar o vínculo.

Asheley abriu os olhos — agora dois rubis famintos. Ela sentiu a força fluir, a solidão desaparecer e o desejo por Wagner atingir um nível sobre-humano.

Ela não era mais a boneca do Conde. Ela era uma meio-sangue, uma predadora nascida do amor e da dor.

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— "Depositei na poupança" da eternidade — 

Wagner sussurrou no ouvido dela, usando uma gíria humana que a fez rir com um som metálico e sensual.

Eles se fundiram novamente, agora com a força de dois imortais. Na torre, longe dos olhos dos homens, as cortinas da vida antiga caíram para sempre. 

O que restava era o suor, o sangue e a certeza de que, enquanto houvesse noite, eles teriam um ao outro para "botar pra fuder" com o destino.


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